A nova Reforma Tributária brasileira é considerada a maior transformação no sistema de tributos do país nas últimas décadas. Aprovada por meio da Emenda Constitucional nº 132/2023, ela deu início a um processo de reformulação profunda do modelo de arrecadação. Mais do que alterações legais pontuais, estamos diante de uma reestruturação completa da arquitetura tributária nacional com impactos diretos sobre a rotina das empresas e dos profissionais da contabilidade.
A transição para esse novo sistema demanda atenção, capacitação técnica e revisão de processos em todas as esferas do setor produtivo. As mudanças não afetam apenas a carga tributária, mas também a forma como empresas planejam suas operações, calculam preços e organizam suas obrigações acessórias.
O desafio da adaptação: onde estamos agora?
Apesar da Reforma Tributária já estar em vigor, grande parte do setor contábil ainda está em fase inicial de adaptação. Um levantamento da Domínio Sistemas mostra que:
- 61% dos escritórios contábeis ainda estão apenas acompanhando notícias e fazendo análises preliminares;
- 88% dos profissionais contábeis acreditam que a reforma terá impacto médio ou alto no dia a dia das empresas.
Ou seja, embora haja consciência da importância da Reforma, a maioria ainda não está preparada para aplicá-la de forma prática e segura. O risco de erros, autuações e decisões empresariais equivocadas aumenta significativamente nesse cenário de incerteza e desconhecimento técnico.
O papel essencial da capacitação técnica
Neste momento de transição, ganha destaque a necessidade de qualificação intensiva. Profissionais contábeis e empresários precisam compreender, de forma aplicada, os efeitos da nova tributação em suas operações. Isso significa mais do que ler a legislação: é preciso interpretar, simular impactos, revisar contratos e adaptar sistemas de gestão.
Espaços de aprendizado prático, troca de experiências e atualização contínua são indispensáveis. Mais do que nunca, o contador precisa atuar como parceiro estratégico dos negócios, e não apenas como responsável por cumprir obrigações acessórias.
O contador na Reforma Tributária: foco estratégico
Uma pesquisa da Omie, em parceria com a Fenacon, revelou que 48% dos empresários contábeis não se sentem preparados para lidar com as novas regras. Entre os pequenos empresários, mais de 80% ainda não foram orientados por seus contadores sobre os impactos da nova tributação.
Diante desse quadro, o profissional contábil assume um papel crucial: ser o elo entre as empresas e a nova estrutura tributária do país. Com a introdução da CBS e do IBS (o chamado IVA dual), os contadores terão que lidar com:
- Novas classificações fiscais de bens e serviços;
- Revisão de contratos e políticas de precificação;
- Integração com áreas jurídica, financeira e de TI;
- Reorganização das obrigações acessórias;
- Adaptação de sistemas internos e ERPs.
Essas transformações exigem uma postura proativa, investigativa e estratégica. A atuação contábil será cada vez mais multidisciplinar, exigindo domínio técnico e visão de negócio.

O que o contador pode (e deve) fazer agora
Com a entrada em vigor da Reforma Tributária, o contador deixa de ser apenas um executor de obrigações fiscais e passa a ser um agente estratégico de transformação empresarial. Para cumprir esse novo papel com eficácia, há ações concretas que podem (e devem) ser colocadas em prática desde já:
1. Estudar a fundo a legislação e seus desdobramentos
Aprofunde-se na Emenda Constitucional nº 132/2023 e nos documentos complementares. Compreenda a lógica da CBS e do IBS, as fases de transição, os créditos financeiros e os regimes específicos que podem impactar seus clientes.
2. Mapear os impactos nas operações de cada cliente
Analise o modelo de negócios, o regime atual, as alíquotas incidentes e simule os possíveis efeitos da nova tributação. Essa análise permite antecipar riscos e oportunidades, como necessidade de reprecificação ou revisão de contratos.
3. Atualizar e integrar processos internos
Identifique se os sistemas de gestão contábil e fiscal estão preparados para as mudanças. Trabalhe junto com áreas de TI e financeiro para garantir que a base de dados, classificações e relatórios estejam alinhados com o novo modelo.
4. Reforçar o papel consultivo com os empresários
Não espere ser questionado: leve proativamente aos seus clientes orientações claras sobre o que muda, como se preparar e quais decisões tomar nos próximos meses. A contabilidade agora é parte essencial da estratégia de negócio.
5. Participar de capacitações e redes técnicas
Busque ambientes de atualização técnica contínua, com foco prático. Cursos, seminários, comunidades de contadores e fóruns especializados são ferramentas-chave para manter-se atualizado e conectado com os desafios reais do mercado.
Informação de qualidade como base da transição
A implementação da Reforma Tributária não é apenas uma adequação burocrática. Trata-se de uma transição de ciclo que exige ação coordenada entre áreas como contabilidade, jurídico, financeiro e tecnologia. Cada empresa terá um caminho único de adaptação, e os profissionais que liderarem esse processo devem estar munidos de conhecimento atualizado, confiável e aplicado à realidade do mercado.
Preparar-se agora é uma vantagem competitiva
Em um cenário de tantas mudanças, a preparação técnica se transforma de diferencial em requisito. Empresas que se anteciparem sairão na frente, minimizando riscos, otimizando seus processos e se beneficiando das oportunidades geradas pela nova legislação. Já aquelas que deixarem para depois enfrentarão um ambiente ainda mais competitivo e desafiador.
Para os profissionais da contabilidade, o momento é de liderança. Aqueles que assumirem o protagonismo técnico da Reforma estarão posicionados como consultores estratégicos, valorizados e indispensáveis para a sustentabilidade dos negócios nos próximos anos.
Considerando todos esses pontos, preparamos um guia com as 10 perguntas essenciais que você deve fazer ao seu contador sobre a Reforma Tributária – e também para ajudar os contadores a se prepararem com os conhecimentos que precisam dominar para orientar seus clientes com segurança.
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